COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO


OLHOS CAÍDOS + A TECEDURA DO CAOS + S

Coreografia de Tânia Carvalho

Sex 21 Set / 21h00
Sáb 22 Set / 19h00
Dom 23 Set / 17h00


Grande Auditório • Rivoli

7,50EUR • M/6 

bilhetes

OLHOS CAÍDOS
Peça para bailarino e sombra

Coreografia Tânia Carvalho
Música Diogo Alvim
Desenho de Luz Anatol Waschke
Remontagem Luís Guerra
Interpretação Bailarinos da CNB


S

Coreografia e Figurinos Tânia Carvalho
Desenho para Tela Rui Vasconcelos
Desenho de Luz Mafalda Oliveira e Tânia Carvalho
Interpretação Musical Orquestra Sinfónica Portuguesa
Direç̧ão Musical Nuno Coelho
Interpretação Bailarinos da CNB 


A TECEDURA DO CAOS

Coreografia e Direção Tânia Carvalho
Música Ulrich Estreich
Figurinos Aleksandar Protic
Desenho de Luz Zeca Iglésias
Cenografia de Luz Jorge Santos
Remontagem Marta Cerqueira
Interpretação Bailarinos da CNB

Duração aproximada do programa 2h40 c/ 2 intervalos  
No âmbito do Ciclo Tânia Carvalho, apresentado entre janeiro e março em Lisboa pelo Maria Matos Teatro Municipal, São Luiz Teatro Municipal e pela Companhia Nacional de Bailado (CNB), Tânia Carvalho trabalhou pela primeira vez com os bailarinos da CNB num programa constituído por duas peças estreadas na Bienal de Dança de Lyon, em França: “Olhos Caídos” (2010) e “A Tecedura do Caos” (2014), e numa nova criação, “S”, com música original de Diogo Alvim. Este programa reflete o olhar sobre o trabalho da coreógrafa cruzando diferentes territórios de expressão artística. Depois da apresentação no Teatro Camões, em Lisboa, em fevereiro de 2018, a CNB regressa ao Rivoli para interpretar estas três obras de Tânia Carvalho.
OLHOS CAÍDOS
Peça para bailarino e sombra

Nesta pequena peça, os dois bailarinos que a interpretam executam sequências coreográficas de uma precisão peculiar. Sequências que usam sobretudo os braços, onde gestos rápidos e acutilantes se combinam com movimentos lentos mas contínuos, conferindo um ritmo musical ao trabalho. Os intérpretes alternam continuamente entre estar de pé ou deitados no chão, criando uma confusão de planos definidos por braços e torsos que parecem dobrar-se e desdobrar-se, como se se tratassem de personagens de origami.


S
Em “S” podemos ver uma mistura de símbolos. Um contraste de formas. Um mesclado de estilos. Esta nova criação assenta no percurso e desenvolvimento da sapatilha de ponta, uma (tímida) homenagem a Marie Taglioni (1804-1884) a primeira bailarina a utilizar este objeto em cena, em 1832, em “La Sylphide”.
Indispensável à vida de uma bailarina clássica, a sapatilha de ponta surgiu no século XIX e ao longo dos tempos tem sido transformada, adaptada e aperfeiçoada, no que diz respeito à sua estrutura e materiais utilizados. "S" não pretende ser uma abordagem histórica, mas cruza diferentes estilos de dança entre o romântico, o clássico e o moderno, momentos que simbolizam passagens que foram determinantes na história da dança.


A TECEDURA DO CAOS
O corpo da Odisseia de Homero, olhado como o objeto monumental que representa por princípio algumas das leis fundamentais da poesia épica, é o de um percurso infinito de regresso que conduz a um reencontro e, por fim, a uma espécie particular de redenção do seu herói. A sua forma escrita põe em cena a fusão de uma crença inabalável e dos obstáculos que se erguem à sua frente, de uma esperança confiante e da dor trazida pela espera angustiada da união final. A sua forma movente, em contrapartida, quer traduzir esta intimidade do anseio e da luta constantes num abismo que é forçado a tornar-se um caos vivo. (...) A possessão que se apodera dos corpos aumenta até ao limite do tumulto e da loucura, até que se dissolve de novo e cede, entrega-se ao seu próprio desaparecimento. É a pura reciprocidade da eclosão e do apaziguamento. Assim é a consciência perplexa e frenética da dança, mesmo quando procura esquivar-se à sua vocação divina: ela persegue ainda, como é dito algures na Odisseia, o ato de percutir, de bater com os pés faiscantes no solo sagrado – mas agora virado do avesso e posto fora de si.
Bruno Duarte, 2014



Dos domínios da coreografia, Tânia Carvalho transporta-se frequentes vezes para a composição musical. Uma artista cuja vontade de expressão não se esgota numa só linguagem. As suas criações vagueiam pelas sombras, pela vivificação da pintura, pelo expressionismo e pela memória do cinema. Assim a artista constrói a sua cosmogonia misteriosa, um conjunto de códigos que transcendem a própria arte movente — seja no cuidado linguístico e semântico que inscreve na titulação dos seus trabalhos, seja na passagem frequente por territórios mais distantes da coreografia, como o desenho. Ao longo de quase duas décadas, Tânia Carvalho vai fazendo o seu caminho: criterioso e cada vez mais multidisciplinar.
 
COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO - © Bruno Simão

© Bruno Simão

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