Maria do Céu Ribeiro & Paulo Mota

14 Junho 2019

Maria do Céu Ribeiro & Paulo Mota

Entrevista

sobre "O amigo secreto"
O Teatro Municipal do Porto desafiou os Amigos do TMP a participarem num projeto continuado, a ser estreado em julho. Para o efeito, decidimos convidar-vos para orientarem estas sessões e pensarem num projeto que pudesse dar palco a estes espectadores, fundamentais para a prossecução do nosso trabalho. Quando vos fizemos o convite, o que pensaram sobre ele?

MARIA DO CÉU RIBEIRO (MCR) Quando me fizeste o convite, saltaram-me logo ideias à volta da origem da palavra “amizade”. Amizade, amor, laços de hospitalidade. Foi muito imediata a associação à ideia de partilha propriamente dita, da troca que estas relações implicam. Há sempre uma relação de troca. Mas há sempre uma sensação de procura, descoberta do desconhecido, do que é secreto e o que não é secreto, o que queremos mostrar e não queremos mostrar, e as pessoas que participam no projeto são muito importantes neste processo.

E tu Paulo, como encaraste este desafio e proposta para um trabalho de longa duração como este?

PAULO MOTA (PM) Eu fiquei curioso por perceber com que grupo iria trabalhar, na sua diversidade, porque é difícil desenvolver um projeto sem perceber com quem é que ele vai ser feito. Aceitei o desafio pela curiosidade e secretismo do que seria trabalhar com alguém que não se conhece.

Pegando nessa ideia, e tendo como base as palavras “secretismo” e “curiosidade”, que expectativas existiam no início do projeto e o que era fundamental ser extraído da relação inicial com estes participantes?

MCR No início, o fundamental foi conhecer. Conhecer quem eram as pessoas, o que faziam ali, porque se inscreveram neste projeto e quais as expectativas. Houve uma altura inicial em que chegamos a falar entre nós, que devíamos ter um texto, uma ideia base, que fosse um apoio ou um recurso, se tal fosse necessário. No entanto, e depois de falamos muito sobre estes suportes, acabamos por abandonar essas ideias. Só através do conhecimento das suas motivações, das suas faixas etárias, das suas origens e dos seus interesses pudemos construir algo mais coincidente com as expectativas de todos. Perceber se têm experiência (profissional de palco) ou não, se têm interessem em determinada área artística. Só através de um núcleo de trabalho identificado, diverso mas com pontos de ligação, conseguimos construir uma narrativa para este trabalho. A ideia do secretismo acabou por ser a fonte deste trabalho, mas que foi ganhando camadas que ajudaram a construir um objeto artístico mais sólido. A nossa primeira curiosidade, confesso, foi perceber o que leva alguém a tornar-se amigo de um Teatro. Porque se tornam amigos de uma instituição, qual o intuito e o interesse de tal facto. A partir daí a ideia surgiu.

Aliás, a noção de amigo é tão lata e abrangente que se foi adaptando a diferentes formatos, situações, dimensões e até contextos. Pegando nessa ideia, há diferentes tipologias de amigo, quase como se os organizássemos por gavetas: há o amigo social, o amigo íntimo, o amigo de infância e até o chamado “amigo colorido”. Na base de tudo isto, o que é, para cada um de vocês, um “amigo”?

PM Acho que um amigo é alguém que te recebe sempre sem medo, independentemente do que aconteça. É alguém que te aceita em todas as situações.
MCR É uma relação que implica imensa confiança. Para mim mim este é um conceito fundamental na relação de amizade, a “confiança” é fundamental, sintetiza tudo aquilo que temos com o outro.

Os vossos nomes não surgem por acaso para este projeto. Para o Teatro Municipal do Porto, interessava que dois amigos trabalhassem com Amigos do Teatro sobre as relações de amizade. Por isso, e sendo amigos, conhecem-se bem um ao outro. Nessa medida, e em jeito de resposta “pingue-pongue”, o que é que cada um de vocês acha que o outro tem como mais-valia para este projeto?

PM Eu diria que é melhor ficar em segredo (risos).
MCR Boa resposta, gostei (risos). Acho que não devo revelar o que acho que o outro tem de mais-valia para o projeto, a confiança é mesmo assim.
PM Vamos indo e vamos conhecendo ainda mais (risos).

Mas houve e continuam a existir expetativas entre vocês, de um para o outro. Os amigos procuram sempre encontrar mais e melhores coisas nos mais próximos...

PM Sim, nós podemos falar sobre…
MCR Eu por acaso não tinha grandes expectativas! Tens uma expectativa em relação a mim?
PM Eu acho que podemos falar sobre isso sem câmaras e microfones (risos). Há uma parte da nossa relação que não é bom que seja pública, é só isso (risos).


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