Dia 8 — Bloco Noite

João Mortágua + Peter Evans e Orquestra Jazz de Matosinhos

Dia 8 — Bloco Noite

© DR

Fevereiro

8 Sáb 21.30h

RIVOLIGrande Auditório

Música
 
João Mortágua “Dentro da Janela” (PT)

Ao título do novo álbum de João Mortágua, “Dentro da Janela”, associamos um ambiente sereno, feito de tardes refasteladas a apreciar a chuva lá fora. É de um conforto perante a criação musical que se está a falar aqui, vindo do lado certo da janela, a olhar para um exterior eventualmente menos confortável mas sempre inspirador. Esta paz com o mundo, e com a música, só poderia ser conseguida na companhia certa, aquela proporcionada por um grupo de amigos. A saber, José Pedro Coelho (saxofone tenor), Miguel Moreira (guitarra), José Carlos Barbosa (baixo) e José Marrucho (bateria). Curiosamente, quando se procura o novo álbum de João Mortágua no Brandcamp, surge também no ecrã um tema chamado “Toda Uma Vida Dentro de Um Quarto com a Janela Fechada”, do brasileiro Luden. Ora, considerações musicais à parte, esta coincidência acaba por chamar a atenção pelo seu contraste, porque a ideia sugerida por Mortágua é realmente outra, bem menos claustrofóbica. Não poderia, por isso, haver melhor ajuda do que esta para definir os novos temas do saxofonista portuense, um dos mais talentosos músicos (inter)nacionais.

Peter Evans e Orquestra Jazz de Matosinhos (US, PT)

Até se podia chamar-lhe destino, mas a verdade é que Peter Evans e a Orquestra Jazz de Matosinhos voltam a encontrar-se. O Festival Porta-Jazz é testemunha deste reatar de conversa, tendo como fio condutor uma mão cheia de composições do trompetista norte-americano e portador de um som único. Figura maior do jazz mundial, volta a estar rodeado de uma big band de renome, com 22 anos de carreira e colaborações com grandes nomes, desde Chris Cheek a Carla Bley, que marca presença no festival onde já esteve nas primeiras edições, apoiando assim o movimento da Porta-Jazz porque faz parte dele. Esta actuação tem como título “Perception Beyond Knowing”, nome de um tema do mais recente disco de Peter Evans, e dela constam novos arranjos para alguns dos seus registos, criados em várias épocas, a que se soma “I Want to Talk To You”, um standard de Billy Eckstein assombrado pela magnífica versão de John Coltrane. Uma ponte entre o jazz clássico e o contemporâneo, sem esquecer a música erudita.


O Festival Porta-Jazz chega este ano à décima edição. A data convida a balanços e a revisões da matéria dada, começando pelo início da associação que lhe dá nome, na altura uma pequena comunidade local, até aos dias de hoje, em que se pode falar da afirmação de um movimento verdadeiramente internacional. Tem sido uma evolução rápida mas também orgânica, crescendo à velocidade das ligações com músicos de todo o mundo. Esta edição do Festival Porta-Jazz será espelho disso mesmo, mostrando nomes que aqui se apresentam pela primeira vez e outros que regressam com novos projetos, sabendo-se de antemão que este será, também, o ponto de partida para outras viagens musicais, de que só saberemos notícias num futuro mais ou menos próximo. Na base de tudo isto está, desde a génese, a promoção de música original e criativa na área do jazz. Criou-se no Porto um pólo único de músicos, uma comunidade sem fronteiras, sempre com a perspectiva de democratizar o acesso a esta música e alargar o seu público. Para isso, tem sido determinante o incentivo a parcerias e intercâmbios entre autores desta cidade com outros criadores nacionais e internacionais, gerando uma convergência artística muito especial. A celebração destes 10 anos vem tornar mais visível a actividade possante e ininterrupta de uma associação que realiza mais de uma centena de concertos anuais, dentro e fora de portas, já lançou mais de meia centena de discos e tornou sustentável uma comunidade artística, alimentando a cultura da cidade e do país. Hoje, o Festival Porta-Jazz é uma referência internacional pela reconhecida qualidade dos projectos que apoia e um ponto de passagem essencial para músicos em trânsito, de renome internacional, assim como uma referência criativa para muitas instituições internacionais. Acreditamos ter criado um movimento crucial para definir o que é o jazz de hoje em Portugal. Conte-se, por isso, com três dias intensos de música no Rivoli, com parcerias entre projectos do Porto e músicos nacionais e internacionais, mostrando novas criações e encomendas, bem como apresentações de discos, residências, jam sessions, encontros de escolas de jazz, oficinas e muito mais. Entre 7 e 9 de Fevereiro todos os caminhos da música vão ter ao Festival Porta-Jazz.  

Fevereiro

8 Sáb 21.30h

RIVOLIGrande Auditório

Música
 
  • João Mortágua “Dentro da Janela”
    João Mortágua (saxofone alto e soprano, composição)
    José Pedro Coelho (saxofone tenor)
    Miguel Moreira (guitarra)
    José Carlos Barbosa (baixo)
    José Marrucho (bateria)
  • Peter Evans e Orquestra Jazz de Matosinhos
    Pedro Guedes (direcção musical)
    Convidado: Peter Evans (compositor, trompete)
    João Guimarães, João Pedro Brandão, Mário Santos, José Pedro Coelho, Rui Teixeira (madeiras)
    Luís Macedo, Ricardo Formoso, Rogério Ribeiro, Javier Pereiro (trompetes)
    Daniel Dias, Álvaro Pinto, Paulo Perfeito, Gonçalo Dias (trombones)
    Secção Rítmica: Hugo Raro (piano), Demian Cabaud (contrabaixo), Marcos Cavaleiro (bateria)