Dia 8 — Bloco Tarde

Concerto comentado + PULSE! + A Incerteza do Trio Certo + Pedro Neves Trio + Impermanence

Dia 8 — Bloco Tarde

© Maria Mónica

Fevereiro

8 Sáb 15.00h

RIVOLIVários Espaços

Música
 
"Falar de ouvido"- Concerto comentado

Para que o jazz deixe de ser um mistério, há um concerto comentado conduzido pelo pianista e compositor João Grilo. Vai esclarecer dúvidas, espantar fantasmas e explicar como se faz esta música única, mostrando o papel da improvisação, da composição, da interacção e da intuição na sua feitura. Pelo caminho, fica-se a perceber melhor as diferenças em relação a outros géneros musicais, mas também os muitos pontos em comum, ajudando a aproximar o público deste tão falado, antigo e sempre em renovação jazz.

Ricardo Coelho “PULSE!” feat. Frederico Heliodoro (PT, BR)

“PULSE!” surge como uma resposta criativa ao convite com carta branca dirigido a Ricardo Coelho pela Associação Porta Jazz no âmbito do seu 10º Festival. Trata-se de um quinteto formado por este vibrafonista portuense, o prestigiado baixista brasileiro Frederico Heliodoro e os inconfundíveis Mané Fernandes (guitarra/eletrónica), José Diogo Martins (piano/teclados) e Diogo Alexandre (bateria). Um elenco admirável que irá revelar novas composições de Ricardo Coelho e mostrar mais uma faceta de um dos músicos mais versáteis da sua geração. Falamos de alguém cujo currículo enumera colaborações com nomes tão díspares como MINA, Capicua, Jafumega, EduMundo ou The Mantra of the pHat Lotus, sem esquecer o seu próprio trio e o grupo THE FOUNDATION. Resumindo, jazz, música improvisada, hip hop e world music na mesma linha e na mesma pessoa. Não seria de esperar outra coisa de um criador que começou a tocar piano aos quatro anos, passou pela bateria e afirmou-se, por fim, no vibrafone. Por este andar, o mais provável é esta história não ficar por aqui!

A Incerteza do Trio Certo (PT)

Os elementos deste trio dizem que fazem música pela música e com metade do cérebro desligado. Deixam, por isso, um hemisfério a voar em liberdade e o outro a pairar sobre a racionalidade, que é uma forma de dizer que há tanto de escrito como de improvisado nos temas deste grupo. É um colectivo formado pelo guitarrista António Pedro Saramago (AP), o contrabaixista Diogo Dinis e o baterista Miguel Sampaio. Um portuense, um ovarense e um minhoto às voltas com essa coisa da cumplicidade, sentimento tão digno numa mesa de café como numa sala de ensaios. Decidiram pôr tudo em jogo, atirar-se a sessões de deriva com bússolas afinadas, para dali sair com um conjunto de temas improváveis. Valeu de tudo como ponto de partida, desde ideias rítmicas à exploração de cores, sem esquecer alguns indícios de groove ou melodias por resgatar. Mas sempre numa perspectiva heraclitiana, isto é, sem alguma vez tocar os temas duas vezes da mesma forma, pelo que será de contar com o inesperado na forma como vão abordar as suas composições no festival Porta-Jazz. Um trio sem certezas, com certeza.

Pedro Neves Trio “Murmuration” (PT)

A inspiração para o novo álbum do Pedro Neves Trio veio do movimento dos pássaros em bando. A forma como estes mudam de direcção, a elegância das manchas que criam na paisagem e a imprevisibilidade do seu voo foram boas referências para um grupo que procura sempre inovar e deixar em aberto cada novo segundo dos seus temas. O trio liderado pelo pianista Pedro Neves vai já no seu terceiro registo, sempre com o Carimbo Porta-Jazz, e em todos eles tem recebido elogios de vários quadrantes, assim como convites para actuações nacionais e internacionais. Além do seu mentor, o grupo é formado por Miguel Ângelo (contrabaixo) e Leandro Leonet (bateria), exibindo com orgulho o facto de serem uma formação imutável ao longo desta sua década de existência. Pedro Neves gravou também com Mariana Vergueiro e Bruno Macedo, integrando ainda o quarteto de Lucia Martinez. Além disso, colabora com a cantora Sónia Pinto, com quem recentemente lançou um álbum, editado pela alemã Mons Records.

Impermanence “The Ocean Inside A Stone” (PT, SE)

Sendo a mutação um elemento constante da vida, a notícia de um segundo álbum do colectivo Impermanence só podia ser recebida com naturalidade e júbilo em doses iguais. Naturalidade, porque algo tão bem-sucedido como a junção destes talentos só podia ter como consequência a sua continuidade, da mesma forma que o dia sucede à noite; Júbilo, porque até o que se toma como garantido na vida deve ser devidamente celebrado. E como o assunto é a impermanência, seria errado esperar uma repetição do álbum anterior. Este é, afinal de contas, um grupo que enaltece a mudança, liderado por Susana Santos Silva, uma trompetista que tudo tem feito para não cair em formalismos. Daí ter juntado uma constelação de mentes semelhantes, que são Hugo Raro (piano e sintetizador), João Pedro Brandão (saxofone alto e flauta), Torbjörn Zetterberg (baixo eléctrico) e Marcos Cavaleiro (bateria). Vêm ao Festival Porta-Jazz estrear este novo álbum, revelando sete novas composições e a vontade de criar um momento irrepetível. Coisas da inquietude, portanto.


Festival Porta-Jazz chega este ano à décima edição. A data convida a balanços e a revisões da matéria dada, começando pelo início da associação que lhe dá nome, na altura uma pequena comunidade local, até aos dias de hoje, em que se pode falar da afirmação de um movimento verdadeiramente internacional. Tem sido uma evolução rápida mas também orgânica, crescendo à velocidade das ligações com músicos de todo o mundo. Esta edição do Festival Porta-Jazz será espelho disso mesmo, mostrando nomes que aqui se apresentam pela primeira vez e outros que regressam com novos projetos, sabendo-se de antemão que este será, também, o ponto de partida para outras viagens musicais, de que só saberemos notícias num futuro mais ou menos próximo. Na base de tudo isto está, desde a génese, a promoção de música original e criativa na área do jazz. Criou-se no Porto um pólo único de músicos, uma comunidade sem fronteiras, sempre com a perspectiva de democratizar o acesso a esta música e alargar o seu público. Para isso, tem sido determinante o incentivo a parcerias e intercâmbios entre autores desta cidade com outros criadores nacionais e internacionais, gerando uma convergência artística muito especial. A celebração destes 10 anos vem tornar mais visível a actividade possante e ininterrupta de uma associação que realiza mais de uma centena de concertos anuais, dentro e fora de portas, já lançou mais de meia centena de discos e tornou sustentável uma comunidade artística, alimentando a cultura da cidade e do país. Hoje, o Festival Porta-Jazz é uma referência internacional pela reconhecida qualidade dos projectos que apoia e um ponto de passagem essencial para músicos em trânsito, de renome internacional, assim como uma referência criativa para muitas instituições internacionais. Acreditamos ter criado um movimento crucial para definir o que é o jazz de hoje em Portugal. Conte-se, por isso, com três dias intensos de música no Rivoli, com parcerias entre projectos do Porto e músicos nacionais e internacionais, mostrando novas criações e encomendas, bem como apresentações de discos, residências, jam sessions, encontros de escolas de jazz, oficinas e muito mais. Entre 7 e 9 de Fevereiro todos os caminhos da música vão ter ao Festival Porta-Jazz. 

Fevereiro

8 Sáb 15.00h

RIVOLIVários Espaços

Música
 
  • Ricardo Coelho “PULSE!” feat. Frederico Heliodoro
    Ricardo Coelho (vibrafone e composição)
    José Diogo Martins (piano/teclados)
    Mané Fernandes (guitarra/eletrónica)
    Frederico Heliodoro (contrabaixo)
    Diogo Alexandre (bateria)


    A Incerteza do Trio Certo
    AP (guitarra e composição)
    Diogo Dinis (contrabaixo) 
    Miguel Sampaio (bateria)

     
  • Pedro Neves Trio “Murmuration”
    Pedro Neves (piano)
    Miguel Ângelo (contrabaixo)
    Leandro Leonet (bateria)

    Impermanence “The Ocean Inside A Stone”
    Susana Santos Silva (trompete, composições)
    João Pedro Brandão (saxofone alto, flauta)
    Hugo Raro (piano, sintetizador)
    Torbjörn Zetterberg (baixo)
    Marcos Cavaleiro (bateria)