Dia 9 — Bloco Tarde

Residencial AMR/Porta-Jazz + Blechbaragge + MAU + Jeffery Davis Quinteto

Dia 9 — Bloco Tarde

© Miguel Belo

Fevereiro

9 Dom 15.00h

RIVOLIVários Espaços

Música
 
Residencial AMR/Porta-Jazz (CH, PT)

Se a cidade do Porto tem seis pontes (e uma nova a caminho, ao que se diz), nada mais natural do que uma associação desta cidade estabelecer ligações sólidas com congéneres de outros países. É o que a Associação Porta-Jazz tem feito com a reconhecida AMR, uma associação de músicos criada na década de 70 em Genebra. A equipa nacional é composta por João Guimarães (saxofone) e Acácio Salero (bateria), ficando o lado suíço a cargo de Benoît Gautier (contrabaixo) e Thomas Florin (piano). Estiveram juntos numa residência artística e cada músico será responsável por liderar 1/4 da proposta a apresentar neste Festival Porta-Jazz, num concerto seguramente inesquecível. Esta é a quarta edição de uma parceria entre as duas associações, que começou com um intercâmbio de bandas e este ano ganha uma dimensão bem mais ambiciosa. A não perder!

Blechbaragge (Bezau Beatz Festival) (AT)

Não há dúvida de que alguns projectos musicais deixam-nos com um sorriso nos lábios. Os Blechbaragge estão, definitivamente, nesse grupo. Têm um tom mordaz que nos eleva os níveis de dopamina, mesmo quando querem ser mauzinhos e entrar em sentido contrário na estrada da cacofonia. As explicações podem ser muitas, mas não há dúvida de que a conjugação de uma tuba, uma bateria e um saxofone (ou clarinete) dá, à partida, a garantia de se estar perante algo diferente. No entanto, o sentido de humor de Joe Bärr, Alfred Vogel e Andreas Broger é um trunfo imprescindível, notório tanto em estúdio como em palco. Só não convém acreditar em tudo o que dizem. Por exemplo, o facto de terem dado o título “We Play the March For You” ao seu primeiro álbum não é, de todo, sinónimo de que nos vão tocar uma marcha. Um pequeno cuidado a ter para que tudo corra bem nesta sua vinda ao Festival Porta-Jazz, resultante da parceria com o Bezeau Beatz Festival.

MAU “Utopia” (PT)

A palavra Utopia é central no trio MAU. A começar pelo nome, que por extenso dá Miguel Ângelo Utopia. Depois, pelo seu álbum de estreia, que se chama, precisamente, “UTOPIA”. Ora, esta é uma palavra com história e que a partir de Thomas More se tornou sinónima de fantasia, embora também possa ser encarada no sentido de realização futura, tendo em conta a sua origem grega. Pois bem, o Festival Porta-Jazz irá mostrar o somatório do contrabaixo de Miguel Ângelo, as guitarras de Miguel Moreira e a bateria de Pedro Melo Alves (gravada por Mário Costa no álbum), uma utopia em busca do tema perfeito, com tanto de improvisado como de escrito, guiada por regras meramente circunstanciais. Se filosoficamente tinha tudo para correr bem, na prática materializou-se ainda melhor, formando um arquipélago musical para onde se vai com os sentidos envoltos nos mistérios do caminho. Nota: o Festival Porta-Jazz só se responsabiliza pela viagem sonora de ida, os planos de regresso ficarão ao critério de cada espectador.

Jeffery Davis Quinteto “For Mad People Only” (PT, CA)

Traduzir a literatura de Hermann Hesse e Ernest Hemingway para a música? Pode parecer improvável, mas foi isso que o Jeffery Davis Quinteto fez. Funciona como uma espécie de transcrição em associação livre, com as notas musicais a fazer as vezes das letras e atribuindo o resto do serviço à imaginação. Mas essa foi apenas uma das missões deste agrupamento. Na verdade, foi criado por este músico para demonstrar que o vibrafone pode ser usado de forma inovadora num contexto de ensemble e de composição, enchendo o depósito com o necessário combustível harmónico e melódico. Foi, aliás, esse desígnio que o levou à escolha da formação, tendo seleccionado um conjunto de músicos com as características certas para obter o som que pretendia. Foi assim que, de entre as muitas figuras a quem podia telefonar, escolheu Óscar Marcelino da Graça (piano), José Soares (saxofone alto e soprano), Nelson Cascais (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria). Uma formação com várias origens geográficas, desde Basel a Lisboa, Figueira de Foz e Aveiro, sem esquecer o Canadá (com muitos anos de estadia em Portugal) do músico anfitrião.


Festival Porta-Jazz chega este ano à décima edição. A data convida a balanços e a revisões da matéria dada, começando pelo início da associação que lhe dá nome, na altura uma pequena comunidade local, até aos dias de hoje, em que se pode falar da afirmação de um movimento verdadeiramente internacional. Tem sido uma evolução rápida mas também orgânica, crescendo à velocidade das ligações com músicos de todo o mundo. Esta edição do Festival Porta-Jazz será espelho disso mesmo, mostrando nomes que aqui se apresentam pela primeira vez e outros que regressam com novos projetos, sabendo-se de antemão que este será, também, o ponto de partida para outras viagens musicais, de que só saberemos notícias num futuro mais ou menos próximo. Na base de tudo isto está, desde a génese, a promoção de música original e criativa na área do jazz. Criou-se no Porto um pólo único de músicos, uma comunidade sem fronteiras, sempre com a perspectiva de democratizar o acesso a esta música e alargar o seu público. Para isso, tem sido determinante o incentivo a parcerias e intercâmbios entre autores desta cidade com outros criadores nacionais e internacionais, gerando uma convergência artística muito especial. A celebração destes 10 anos vem tornar mais visível a actividade possante e ininterrupta de uma associação que realiza mais de uma centena de concertos anuais, dentro e fora de portas, já lançou mais de meia centena de discos e tornou sustentável uma comunidade artística, alimentando a cultura da cidade e do país. Hoje, o Festival Porta-Jazz é uma referência internacional pela reconhecida qualidade dos projectos que apoia e um ponto de passagem essencial para músicos em trânsito, de renome internacional, assim como uma referência criativa para muitas instituições internacionais. Acreditamos ter criado um movimento crucial para definir o que é o jazz de hoje em Portugal. Conte-se, por isso, com três dias intensos de música no Rivoli, com parcerias entre projectos do Porto e músicos nacionais e internacionais, mostrando novas criações e encomendas, bem como apresentações de discos, residências, jam sessions, encontros de escolas de jazz, oficinas e muito mais. Entre 7 e 9 de Fevereiro todos os caminhos da música vão ter ao Festival Porta-Jazz. 

Fevereiro

9 Dom 15.00h

RIVOLIVários Espaços

Música
 
  • Residencial AMR/Porta-Jazz (CH, PT)
    Thomas Florin (piano)
    João Guimarães (saxofone)
    Benoît Gautier (contrabaixo)
    Acácio Salero (bateria) 

    Blechbaragge (Bezau Beatz Festival) (AT) 
    Joe Bär (tuba)
    Andreas Broger (saxofone e clarinete)
    Alfred Vogel (bateria) 

    MAU “Utopia” (PT) 
    Miguel Ângelo (contrabaixo)
    Miguel Moreira (guitarra)
    Pedro Melo Alves (bateria)
     
  • Jeffery Davis Quinteto “For Mad People Only” (PT, CA) 
    Jeffery Davis (vibrafone)
    Óscar Marcelino da Graça (piano)
    José Soares (saxofone alto e soprano) 
    Nelson Cascais (contrabaixo)
    Marcos Cavaleiro (bateria)