Entrevista

3 Abril 2020

Entrevista

Martin Zimmermann

Coreógrafo, encenador, cenógrafo e ator físico 

Teatro físico e visual, profundamente marcado por um passado circense. É assim que classifica a sua atividade e área de trabalho. Num teatro sem palavras, tal como num mundo sem regras, a liberdade e o caos andam muito próximos, não é verdade? Essa dualidade interessa-lhe?

Os palhaços só se preocupam com a sobrevivência. Para mim, somos todos palhaços. Um palhaço não interpreta um personagem, é o que é, está ali com todas as suas facetas, a sua fragilidade, o seu humor e o seu abismo. Interessa-me o ser humano e a sua existência. As pessoas têm muitas vezes uma ideia errada do personagem de um palhaço. Os palhaços são incrivelmente polivalentes. São atores, dançarinos, acrobatas e músicos ao mesmo tempo. Charlie Chaplin, Buster Keaton, Jacques Tati, Grock, Charlie Rivel, só para nomear alguns. Eu venho dessa tradição. Estou convencido de que as pessoas que se conseguem rir de si mesmas contactam com os outros muito mais facilmente. Quero dizer às pessoas “Não se levem demasiado a sério.” É por isso que o palhaço é tão importante para mim. Acredito que o humor ainda pode salvar o mundo. O que não tem nada a ver com pregar partidas. 

Um, dois, três palhaços famosos. Os palhaços são figuras fascinantes. Os palhaços imitam-nos. Como é que isso surge neste último trabalho?

Quis ser palhaço desde miúdo. O personagem do palhaço está muito presente em todos os meus trabalhos. O que mais me fascina é a nossa vida interior e a forma como nos revelamos uns aos outros. Estou convencido de que somos todos loucos lá bem no fundo. Os palhaços espelham-nos e mostram o que realmente somos. Precisamos deles, para nos certificarmos que somos quem somos.

Há uma presença muito forte da música, mas também de instrumentos na sua relação física com os corpos dos intérpretes. Como foi o processo de (re)construção da peça com os elementos todos que a compõem?

Tive a sorte de poder trabalhar com o compositor e pianista Colin Vallon pela segunda vez. O processo de trabalho está relacionado com muitas improvisações na sala de ensaios. A ideia era que a composição do Colin Vallon fosse entendida simultaneamente como um concerto e uma parte da peça. A música devia ser independente e não apenas um acompanhamento. A musica do Colin perturba, acaricia e sustenta os personagens em simultâneo. A música é emocional e maravilhosa e tornou-se ela própria tanto num personagem como num cenário.


Entrevista realizada por Rita Xavier Monteiro, assessora de imprensa do TMP (na altura da entrevista)
Fotografia © Augustin Rebetez
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