Modos de Ocupar

19 Setembro 2019

Modos de Ocupar

1ª Parte — Tiago Guedes


Um Teatro deverá ser território de diversas e constantes ocupações. Se por um lado os espetáculos ocupam os palcos e nos interpelam para novos questionamentos, os artistas e os públicos reivindicam um lugar de acesso ao serviço público que nos interpela a pensar mais além. O que nos ocupa? Que campos devemos ocupar para sermos ouvidos? Que lugar deve um Teatro ocupar nos dias que correm?

Algumas destas questões ditarão os diferentes modos de ocupar presentes nos próximos meses, e unem a programação pluridisciplinar que será apresentada no Rivoli e no Campo Alegre. OCUPAR toma então diferentes significados e dá o mote para a temporada 2019/2020 do Teatro Municipal do Porto. Em abertura de temporada, a ocupação é feita de forma festiva, celebrando os cinco anos passados desde a nossa primeira temporada (setembro de 2014 com a programação "O Rivoli já dança!"). Neste contexto apresentamos “La fiesta”, viagem à infância de Israel Galván, enfant terrible do flamenco contemporâneo, e “Party” do coletivo teatral portuense Estrutura (Cátia Pinheiro e José Nunes) que, nesta sua nova criação, atravessarão 10 anos de espetáculos. A acompanhar este arranque de temporada, o jornalista Pedro Santos Guerreiro, respondendo ao desafio colocado pelo TMP, imaginou “Modos de Ocupar” um ciclo de 9 conferências em ressonância com 9 espetáculos da nossa temporada, que termina no grande projeto de ocupação da Praça D. João I, em julho. Estas conferências não serão acerca dos espetáculos que apresentaremos mas sim a partir de questões que dos mesmos emanem e que nos ajudem a refletir sobre diferentes “Modos de Ocupar”. Sempre com um convidado exterior das mais diversas áreas disciplinares e outro conectado com os espetáculos da nossa programação, mergulha-se em águas profundas e abordam-se temas que cruzam a identidade e integração territorial (Hooman Sharifi – Irão / Noruega), isolamento e superação (Philippe Quesne - França), os medos que nos ocupam (Foco Famílias) ou questões pós colonialistas (Hotel Europa/ André Amálio e Tereza Havlickova – Portugal / República Checa). 

Nas próximas duas temporadas, 2019/2020 e 2020/2021, o Teatro Municipal do Porto repensa também a forma como acompanha determinados artistas a médio prazo, e como esses mesmos artistas ocupam a sua programação de forma física e acima de tudo reflexiva. O conceito de “artista associado”, até aqui apoiado em novas coproduções, estreias e difusão, será repensado e concretizado pelo apoio a três muito jovens artistas (todos com menos de 25 anos), cuja pertinência dos primeiros trabalhos é reconhecida e com os quais será desenvolvido um programa de acompanhamento artístico traçado à medida de cada um. Muito mais do que avançar imediatamente para desafios que impliquem novas criações, interessa perceber o que os artistas necessitam para potenciar o seu trabalho, neste momento inicial e fulcral da sua carreira. Desta forma serão acompanhados, nesta fase de despontar artístico, a bailarina e coreógrafa Ana Isabel Castro e a dupla de criadores que deambula entre o teatro físico, a instalação e a cenografia, Guilherme de Sousa & Pedro Azevedo. O Teatro Municipal do Porto ocupará assim, por duas temporadas, a vida e o crescimento destes artistas, com a sua inebriante energia da juventude.

Percorrendo os meses de setembro de 2019 a fevereiro de 2020, é possível descobrir todos os projetos e artistas mencionados neste editorial. No entanto, a programação é intensa, e sei que não vão querer perder as criações de Joana Providência & Maria do Céu Ribeiro, Alex Cassal (Brasil) e Paula Diogo, Teatro Praga, Edward Luiz Ayres d'Abreu com Ricardo Neves-Neves & Martim Sousa Tavares, Sara Carinhas, Wen Hui (China) & Jana Svobodova (República Checa), Cão Danado – Ana Rocha, Victor Hugo Pontes, Boris Charmatz (França), Erva Daninha, Companhia Nacional de Bailado, John Romão, A Turma – Tiago Correia, ou as formas animadas do FIMP – Festival Internacional de Marionetas do Porto, os dias de reflexão do Fórum do Futuro e o 88° Aniversário do Rivoli.O Teatro Municipal do Porto acolherá ainda importantes eventos da cidade, como a Porto Design Biennale e o Festival Porta Jazz, que comemora connosco a sua 10º edição, assim como os festivais de cinema que já não prescindem do Rivoli para se apresentarem ao público: a MICAR - Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, o Queer Porto, a Festa do Cinema Francês, o Porto/Post/Doc, o IndieJúnior Allianz & o Fantasporto.

Espero que esta programação vos ocupe e que proporcione uma reflexão conjunta, essencial para que seja possível avançar.

TIAGO GUEDES
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