Tânia Carvalho

18 Fevereiro 2020

Tânia Carvalho

Entrevista

Coreógrafa

O título do seu mais recente trabalho, Onironauta, surge do grego óneiros (“sonho”) + náutés (“navegante”), que nos remete para o mundo dos sonhos e do invisível. Como se trabalha este universo etéreo com uma linguagem tão assente na forma e no rigor?

Onironauta é uma pessoa que tem sonhos lúcidos e que, de certa forma, os consegue controlar. Quando sonhamos, tudo o que existe nesse sonho é criado por nós. É um processo solitário, mas por outro lado um lugar sem regras e onde podemos dar asas à imaginação. Fazer peças tem as suas semelhanças com o ser-se onironauta. Estamos a dirigir o que queremos que aconteça, partindo de dentro de nós para fora. Temos colaboradores que nos trazem matérias, temos o acaso e muitas outras coisas que não controlamos, mas, tudo parte daqui (deste sítio que não sei onde fica e que chamo de “eu”).

Na ficha artística e técnica do espetáculo, o nome Tânia Carvalho surge inúmeras vezes, em áreas tão distintas como coreografia, música, figurinos e produção. Como é mover-se nesta multidisciplinaridade, que também é característica da sua obra?

Gosto de perceber como aparecem as coisas através de mim nas várias áreas. Aprendo muito com cada uma. Não só em relação à área em que estou a trabalhar no momento, mas também de umas para as outras. É-me mais confortável saber que posso criar seja em que área for e ir ganhando ferramentas consoante as ideias me pedem. Como uma aranha a fazer uma teia de fazeres.

Como é o processo de trabalho de uma coreógrafa que tem um fascínio por desenhos geométricos e um pensamento matemático e esquemático?

Sinto nos esquemas uma espécie de libertação. Como se através deles conseguisse sentir o infinito. Os processos de trabalho são diferentes em cada peça. Não tenho um processo exato que sigo sempre. Cada peça parece que me vai pedindo o que, e como fazer.

Num percurso que conta já com 20 anos, que balanço faz da evolução do seu trabalho – desde a linguagem, passando pelos temas abordados e processos de trabalho? Como tem vindo a ser construído este universo misterioso e enigmático que a caracteriza?

Quando olho para o trabalho que fiz, sinto alegria. Para mim, o balanço é muito positivo.  Sinto que não fui eu que as fiz, mas que foram as peças que me fizeram a mim. Sinto que essa evolução não sou eu que a faço, mas sim elas através de mim (e dos demais participantes).  Sinto calma, mas também muita curiosidade em perceber como se vão desenrolar os próximos capítulos — que estão sempre à espreita.  


Entrevista realizada a 18 de outubro de 2019 por Leonor Tudela, responsável pelos Conteúdos e Divulgação do Gabinete de Comunicação do TMP.
Fotografia © Rui Palma
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