Ter
13
Sinopse
19.00h • Ninfomaníaca Vol. 1 / 22.00h • Ninfomaníaca Vol. 2
As questões do «nu» e do «sexo» na arte estão na ordem do dia. Não só por tudo o que por cá se discutiu nas últimas semanas sobre a exposição de Robert Mapplethorpe, reflexo de algo que acontece a uma escala alargada, aquilo a que o jornal Público, em dossier recente, referia como “regra moral que rege hoje os interditos e classificações do universo da Internet (e, especialmente, das redes sociais), um mundo onde só há conteúdos sem forma, [que] foi projectada no mundo real dos museus, das bibliotecas, da esfera pública”.
Já há algum tempo abrimos essa discussão, quando organizámos um ciclo Jean-Claude Brisseau, que a Cinemateca Francesa havia “censurado”, ao cancelar, por ordem da Ministra da Cultura, a retrospectiva que iria dedicar ao realizador. Todos nos demos conta de que artistas como Delacroix, Courbet ou Egon Schiele, entre outros, como refere António Guerreiro, na mesma edição do jornal, “clássicos e contemporâneos, têm sido objecto de uma censura, exercida de maneira cega nas chamadas ‘redes sociais’, mas com manifestações várias noutras esferas e alguma tendência para se generalizar”. E acrescentava: “A emergência destes episódios em número crescente e em latitudes diversas tornou plausível o diagnóstico que aponta para uma nova onda de puritanismo. O alvo preferencial e quase exclusivo é o sexo, toda a iconografia que, de uma maneira ou de outra, o representa. Já não é preciso que haja insinuação ou ostentação de pornografia, basta o erotismo ou a simples sugestão do corpo sexual. Por exemplo, um quadro de Delacroix, La liberté guidant le peuple, já se sujeitou a ser banido porque a figura feminina, empunhando uma bandeira, que guia o povo da revolução é um mulher de mamas descobertas.
A arte e a literatura mobilizam o sexo, como nenhuma outra criação e actividade humanas. Por isso, é sobretudo no campo artístico e literário que este novo puritanismo tem tido uma acção visível e constante.”
A antecipar a estreia de um novo filme de Lars Von Trier, The House That Jack Built (chegará às salas portuguesas no início de Dezembro e acabou de estrear em França; a revista Cahiers du Cinéma dedicou-lhe um extenso dossier), um dos raros cineastas em actividade que, para usar uma expressão de Aníbal Fernandes, “desacalmam valores estabelecidos”, nestes dias em que “a humanidade já mal consegue sair da linha…” (Georges Bataille, As Lágrimas de Eros), propomos a revisitação do filme anterior de Von Trier, Ninfomaníaca, Vol.s 1 & 2, na versão integral, raras vezes exibida em Portugal, a versão “não censurada”, um filme que nos abana, que combate este tédio ensimesmado, esta espécie de indolência colectiva, esta indiferença crítica que nos tomou.
Considerado um dos filmes do ano em 2014 (fez parte da lista dos 10 Melhores dos Cahiers du Cinéma, entre outros), de Ninfomaníaca se disse, e com razão, ser um filme “fascinante” a vários níveis, um “mecanismo de escavação” ou “dissecação” do comportamento humano e dos nossos conflitos interiores, reflexão sobre o que é contar ou contarmo-nos, etc., etc. Num registo, ao mesmo tempo, também de comédia e burlesco, em que o realizador sempre esteve como peixe na água, Ninfomaníaca é, como escreveu Antoine Mouton na revista Traficc, “talvez o mais belo dos filmes de Lars von Trier até hoje”.
Trailer
As questões do «nu» e do «sexo» na arte estão na ordem do dia. Não só por tudo o que por cá se discutiu nas últimas semanas sobre a exposição de Robert Mapplethorpe, reflexo de algo que acontece a uma escala alargada, aquilo a que o jornal Público, em dossier recente, referia como “regra moral que rege hoje os interditos e classificações do universo da Internet (e, especialmente, das redes sociais), um mundo onde só há conteúdos sem forma, [que] foi projectada no mundo real dos museus, das bibliotecas, da esfera pública”.
Já há algum tempo abrimos essa discussão, quando organizámos um ciclo Jean-Claude Brisseau, que a Cinemateca Francesa havia “censurado”, ao cancelar, por ordem da Ministra da Cultura, a retrospectiva que iria dedicar ao realizador. Todos nos demos conta de que artistas como Delacroix, Courbet ou Egon Schiele, entre outros, como refere António Guerreiro, na mesma edição do jornal, “clássicos e contemporâneos, têm sido objecto de uma censura, exercida de maneira cega nas chamadas ‘redes sociais’, mas com manifestações várias noutras esferas e alguma tendência para se generalizar”. E acrescentava: “A emergência destes episódios em número crescente e em latitudes diversas tornou plausível o diagnóstico que aponta para uma nova onda de puritanismo. O alvo preferencial e quase exclusivo é o sexo, toda a iconografia que, de uma maneira ou de outra, o representa. Já não é preciso que haja insinuação ou ostentação de pornografia, basta o erotismo ou a simples sugestão do corpo sexual. Por exemplo, um quadro de Delacroix, La liberté guidant le peuple, já se sujeitou a ser banido porque a figura feminina, empunhando uma bandeira, que guia o povo da revolução é um mulher de mamas descobertas.
A arte e a literatura mobilizam o sexo, como nenhuma outra criação e actividade humanas. Por isso, é sobretudo no campo artístico e literário que este novo puritanismo tem tido uma acção visível e constante.”
A antecipar a estreia de um novo filme de Lars Von Trier, The House That Jack Built (chegará às salas portuguesas no início de Dezembro e acabou de estrear em França; a revista Cahiers du Cinéma dedicou-lhe um extenso dossier), um dos raros cineastas em actividade que, para usar uma expressão de Aníbal Fernandes, “desacalmam valores estabelecidos”, nestes dias em que “a humanidade já mal consegue sair da linha…” (Georges Bataille, As Lágrimas de Eros), propomos a revisitação do filme anterior de Von Trier, Ninfomaníaca, Vol.s 1 & 2, na versão integral, raras vezes exibida em Portugal, a versão “não censurada”, um filme que nos abana, que combate este tédio ensimesmado, esta espécie de indolência colectiva, esta indiferença crítica que nos tomou.
Considerado um dos filmes do ano em 2014 (fez parte da lista dos 10 Melhores dos Cahiers du Cinéma, entre outros), de Ninfomaníaca se disse, e com razão, ser um filme “fascinante” a vários níveis, um “mecanismo de escavação” ou “dissecação” do comportamento humano e dos nossos conflitos interiores, reflexão sobre o que é contar ou contarmo-nos, etc., etc. Num registo, ao mesmo tempo, também de comédia e burlesco, em que o realizador sempre esteve como peixe na água, Ninfomaníaca é, como escreveu Antoine Mouton na revista Traficc, “talvez o mais belo dos filmes de Lars von Trier até hoje”.
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Info sobre horário e bilhetes
Ter
13.11
19:00
22:00
RivoliPequeno Auditório
Texto biografia autores
Ficha técnica
- Ninfomaníaca (Volumes 1 & 2) [Director's cut, sessão única]
de Lars Von Trier
Dinamarca, 2014, 145' (Vol. 1) & 180' (Vol. 2), >18
Legendado em português



