Re:Montar
A temporada 20/21 terá uma programação marcada pela diversidade disciplinar e estética que caracteriza o TMP. Algumas das estreias previstas para esta temporada foram adiadas para 21/22. A impossibilidade de aceder a espaços de ensaio, residências artísticas e residências técnicas fez com que várias novas criações não tivessem sequer chegado a palco, adiando-se assim estreias inicialmente agendadas para o segundo semestre de 2020. Decidimos então desenvolver um programa de remontagens de espetáculos essenciais para a História da dança – espetáculos que, porventura, muitos conhecerão, mas a que nunca assistiram ao vivo. Acreditamos que conhecer as origens de uma disciplina artística através dos seus títulos mais emblemáticos ajudará a perceber o caminho que se percorreu até à dança que se faz atualmente. O que é hoje visto como um marco histórico era o que de mais contemporâneo se fazia na altura da sua criação; um sublinhar de modernidade e de interpelação artística tão poderoso há décadas quanto na atualidade. Assim, apresentaremos a Companhia Nacional de Bailado com o programa “Dançar em Tempo de Guerra”, que reúne duas obras criadas nos anos 30 do século passado e que refletem as inquietações dos seus autores sobre o contexto bélico daquela altura. As obras que darão corpo a este programa serão A mesa verde (1932), de Kurt Jooss, e Chronicle (1936), de Martha Graham. Acolheremos também o CCN - Ballet de Lorraine, que nos fará redescobrir duas das mais emblemáticas obras do pioneiro da dança moderna americana Merce Cunningham: RainForest (1968), com a instalação Silver Clouds de Andy Warhol como cenografia, e Sounddance (1975). Vinte anos depois da estreia em Paris, Jérôme Bel remonta The show must go on (2001) com intérpretes do Porto e de Lisboa. É uma obra seminal que especula sobre os mecanismos dos espetáculos e o espelho conectivo que conseguem criar entre bailarinos e espectadores. Dedicaremos também um foco à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, que inclui a sua nova criação, Mal - Embriaguez Divina, e a remontagem do seu primeiro solo Guintche (2010).