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18 Junho 2019

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... Perguntas a Manuel Bogalheiro

Universidade Lusófona do Porto
"Do Comum" e "Do Estranho" ⁄ Ciclos de conferências
Na próxima terça-feira, Eduardo Souto de Moura estará no Teatro Rivoli para uma conferência integrada no ciclo “Do Comum” – naquela que será a última da temporada 18/19 do Teatro Municipal do Porto. Que balanço faz deste ano e meio de conferências?

A Universidade Lusófona do Porto está a cumprir um ano e meio de parceria com o Teatro Municipal do Porto. Este ciclo de conferências encontra-se agora na segunda edição, sendo dedicado ao tema “Do Comum”, depois de termos tratado o tema “Do Estranho” na edição do ano passado. Fazemos um balanço bastante positivo porque parece-nos que estamos a tentar fazer jus àquilo que foi a ideia inicial do ciclo, ou seja, levantar a discussão de temas atuais, com vários tipos de vozes, sejam do campo da filosofia, da literatura, da arte ou da arquitetura, e dar espaço a essas vozes no teatro – no Teatro Rivoli, neste caso – de maneira a que se cumpra aqui um dos nossos pressupostos mais importantes: estabelecer relações com a comunidade, com a população do Porto, fazer desse tipo de debate e de discussão de ideias, por vezes mais teóricas, outras vezes aplicadas, um espaço de partilha e, nesse aspeto, um espaço também comunitário. Ou seja, o objetivo é que o conhecimento saia das portas e das paredes da universidade, conheça uma dimensão abrangente e também participativa. E parece-nos que, sendo um processo que leva algum tempo, está a corresponder a esse objetivo inicial.

Durante a temporada 18/19 do Teatro Municipal do Porto foram vários os convidados a integrarem este ciclo de pensamento – desde Maria Filomena Molder, José Gil, José Bragança de Miranda, Isabel Babo, Tiago Guedes, Viriato Soromenho-Marques, Sofia Miguens ou António Guerreiro. Tendo em conta as diferentes áreas de estudo dos oradores, que perspetivas e abordagens foram exploradas, que questões foram levantadas e que relações e interligações foram criadas entre os convidados ao longo deste ano e meio?

Preocupou-nos, desde o primeiro momento desta iniciativa, a atualidade dos temas. Quando pensámos no tema “Do Estranho” pensámos numa série de problemáticas atuais, desde as migrações, às questões multiculturais ou à globalização, que aí se podem refletir. “O Comum”, de alguma forma, abre outro tipo de respostas a alguns desses mesmos problemas que se revelam prementes para o pensamento e para a reflexão. Todas essas questões não têm um único olhar possível, têm muitos olhares e muitas disciplinas que podem servir de terreno de partida. Com o leque de convidados escolhido, pretendemos dar resposta a essa diversidade. Daí que tenhamos tido abordagens como as de Maria Filomena Molder, as de Fernanda Bernardo ou de José Gil, que foram claramente mais enraizadas nos domínios da filosofia, mas também, quando me lembro da conferência da Ana Luísa Amaral, noutros domínios, como o da literatura ou de um certo ativismo político. E depois também houve contributos que nos chegaram das práticas artísticas, como foi o caso da Alexandra Balona, da Mónica Guerreiro ou do próprio Tiago Guedes – que fez, em jeito de balanço do ano de 2018 do Teatro Municipal do Porto, uma série de relações que se podem rever na temática “Do Estranho”. E, nesse sentido, parece-nos que o objetivo vai sendo cumprido. Ou seja, montar diferentes tipos de acesso ao problema, identificar vozes sintomáticas do panorama cultural português que possam personificar esses pontos de vista e mostrar que os temas são multidisciplinares e transversais. Daí que possa haver o contributo de alguém da arquitetura, como o Eduardo Souto de Moura, de alguém que pensa historica e filosoficamente a ecologia, como o Viriato Soromenho-Marques, da poesia, como na conferência do António Guerreiro, ou ainda de um campo expandido da comunicação e das ciências sociais, como foi no caso das conferências de Isabel Babo e de José Bragança de Miranda. Por vezes os cruzamentos surgem mesmo entre campos disciplinares distintos. Acreditamos que este caráter pluridisciplinar enriquece as abordagens e a exploração das temáticas.

O ciclo “Do Comum” faz agora uma pausa e regressa a partir de outubro com conferências de Isabel Babo, João Sousa Cardoso e José Bragança de Miranda. Depois em 2020, vai ser explorado um novo tema: “Olhares da Terra”. Qual será a abordagem nesta temática?

Pensar a Terra surge-nos como um dos problemas mais decisivos da actualidade que, apesar da profusão de leituras, está longe de ser esgotado. Desde logo através das questões ecológicas e ambientais, no que tem vindo a ser discutido como o antropoceno, mas não só. Nomeadamente, o problema da tecnologia e das redes, da arte global e de uma possível geoestética ou, num certo prolongamento do tema do "Comum", de uma necessária reflexão política, visto que, não podemos deixar de o reconhecer, são todos os habitantes do planeta que estão em causa quando a Terra surge como problema. Pretendemos que, na linha do que temos procurado fazer, vários tipos de discursos, de disciplinas e visões, não apenas das humanidades mas também da engenharia ou da física, possam contribuir para a discussão deste problema que nos parece absolutamente incontornável. 


Fotografia © José Caldeira
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