Setembro2020

Ter8

Retomar Ligação

Temporada 2020/2021 já disponível

Retomar Ligação

RE:DESENHAR


Quando fomos obrigados a parar, em março, estávamos a iniciar a segunda metade da temporada 19/20 com o entusiasmo sempre renovado de estrear espetáculos de companhias nacionais e internacionais, apresentando no Porto artistas que nos entusiasmam e defendemos.
Estávamos longe de imaginar que os 4 meses seguintes veriam todos esses projetos adiados para a temporada que agora começa.
Assumimos o desafio de redesenhar a temporada 20/21 num exercício complexo que, simultaneamente, garantisse a apresentação de todos os espetáculos anunciados e mantivesse os compromissos já assumidos para a temporada seguinte.
O programa que agora apresentamos é, assim, uma convivência do que não aconteceu com o que iria acontecer, um equilíbrio de vontades e expectativas entre artistas e públicos.

RE:PENSAR

No entanto, tal não poderia ser um mero exercício organizacional ou uma simples tentativa para encaixar espetáculos e honrar compromissos. Os últimos meses fizeram mossa e parece certo que nada ficará no mesmo lugar. Cabe, por isso, às instituições culturais refletir e assumir o seu lugar enquanto oráculo do mundo atual, num futuro tão próximo quanto desconhecido.
Aceitando os desafios dos tempos que vivemos, toda a programação da temporada 20/21 foi repensada nas suas vertentes analógica (em cena) e digital (na internet), proporcionando aos públicos a escolha da forma como desejam descobrir as nossas propostas. Com a lotação das salas condicionada a 50%, imaginamos uma programação on-line a partir dos nossos espetáculos âncora, assim como um conjunto de projetos pensados especificamente para os meios digitais - PAR(S) – Artes Performativas e Imagem Online - que provocam o encontro entre cinco realizadores/videastas e cinco artistas de várias disciplinas performativas com o intuito de criarem obras originais para o contexto digital.
Assim, o site www.teatromunicipaldoporto.pt e as nossas redes sociais terão também um papel redobrado, proporcionando diferentes e estimulantes portas de entrada para a nossa programação.

RE:CENTRAR

Os tempos mais recentes foram também importantes para recentrar a nossa missão. Seis temporadas passaram desde que, em setembro de 2014, batizamos de Teatro Municipal do Porto (TMP) a associação entre o Rivoli e o Campo Alegre. A partir de setembro, o TMP afina a sua programação com a missão que o define e caracteriza. A dança, na sua diversidade estética, será reforçada enquanto disciplina central; as coproduções com companhias e artistas que trabalham a partir da cidade assim como os projetos nacionais e internacionais de teatro, formas animadas, circo contemporâneo, literatura e dança passarão a ser, ainda mais, uma ferramenta importante para o desenvolvimento artístico das companhias; o Paralelo – Programa de Aproximação às Artes Performativas será reforçado tanto na sua equipa como nas suas atividades de programação, mediação e serviço educativo expandido, indo mais longe na proximidade e diversidade de públicos com os quais nos queremos relacionar.

RE:MONTAR

A temporada 20/21 terá uma programação marcada pela diversidade disciplinar e estética que caracteriza o TMP. Nas páginas que se seguem, poderão conhecer tudo o que há para descobrir nos próximos 6 meses. Algumas das estreias previstas para esta temporada foram adiadas para 21/22. A impossibilidade de aceder a espaços de ensaio, residências artísticas e residências técnicas fez com que várias novas criações não tivessem sequer chegado a palco, adiando-se assim estreias inicialmente agendadas para o segundo semestre de 2020.
Decidimos então desenvolver um programa de remontagens de espetáculos essenciais para a História da dança – espetáculos que, porventura, muitos conhecerão, mas a que nunca assistiram ao vivo. Acreditamos que conhecer as origens de uma disciplina artística através dos seus títulos mais emblemáticos ajudará a perceber o caminho que se percorreu até à dança que se faz atualmente. O que é hoje visto como um marco histórico era o que de mais contemporâneo se fazia na altura da sua criação; um sublinhar de modernidade e de interpelação artística tão poderoso há décadas quanto na atualidade.
Assim, apresentaremos a Companhia Nacional de Bailado com o programa “Dançar em Tempo de Guerra”, que reúne duas obras criadas nos anos 30 do século passado e que refletem as inquietações dos seus autores sobre o contexto bélico daquela altura.
As obras que darão corpo a este programa serão A Mesa Verde (1932), de Kurt Jooss, e Chronicle (1936), de Martha Graham.
Acolheremos também o CCN - Ballet de Lorraine, que nos fará redescobrir duas das mais emblemáticas obras do pioneiro da dança moderna americana Merce Cunningham: RainForest (1968), com a instalação Silver Clouds de Andy Warhol como cenografia, e Sounddance (1975).
Vinte anos depois da estreia em Paris, Jérôme Bel remonta The show must go on (2001) com intérpretes do Porto e de Lisboa. É uma obra seminal que especula sobre os mecanismos dos espetáculos e o espelho conectivo que conseguem criar entre bailarinos e espectadores.
Dedicaremos também um foco à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, que inclui a sua nova criação, Mal - Embriaguez Divina, e a remontagem de duas peças com as quais foi descoberta mundialmente, Guintche (2010) e Jaguar (2015).

RE:ATIVAR

O regresso ao TMP foi planeado cuidadosamente, salvaguardando as devidas medidas de segurança. Sabemos que o desejo de voltar aos espaços públicos, aos teatros, à descoberta que só se concretiza na partilha do mesmo espaço físico deve ser providenciado com todas as precauções e garantindo as normas de segurança necessárias. Tudo fizemos para que assim seja e para que o ritual da partilha continue a existir (agora também com outros rituais a garantir uma fruição segura).
Regressar ao Rivoli e ao Campo Alegre será encontrar dois teatros completamente equipados e preparados para receber da melhor maneira públicos, artistas e equipas.

Cá nos reencontraremos!

TIAGO GUEDES
Diretor Artístico e a equipa do Teatro Municipal do Porto