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... Perguntas a João Gesta
Novembro
2018
Qui
22
O ciclo “Quintas de Leitura” é definido como um ritual de recitais de poesia à penúltima ou à última quinta-feira do mês, que já conta com 17 anos de existência, e consigo como programador cultural desde 2002. Como é que é estar a frente de um projeto destes há tantos anos? Quais são as principais diferenças que identifica de 2001 para os dias de hoje e estar integrado num projeto como o Teatro Municipal do Porto?
Sim, realmente, este ciclo poético nasce com o Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e eu entro no projeto em 2002. O balanço que posso fazer destes anos é positivo. Numa primeira fase, houve o processo normal, para qualquer ciclo, de fidelização de público. Com o público fidelizado e com as salas esgotadas – uma constante das “Quintas de Leitura” de há vários anos para cá –, com uma nova dinâmica cultural no Rivoli e através de várias sugestões do diretor do Teatro Municipal do Porto (TMP), Tiago Guedes, fizemos alguns ajustes que vieram trazer uma maior dinâmica às Quintas e que nos têm proporcionado balanços extremamente positivos. Este ano, temos programadas onze sessões, que representam em números redondos cerca de 4000 espectadores. Três dessas sessões foram realizadas fora de portas – Pérola Negra, Cultura em Expansão e Feira do Livro –, revelando-se igualmente como um grande sucesso, com uma taxa de ocupação superior a 90%. Relativamente às principais diferenças entre 2001 e os dias de hoje, na altura começamos com salas relativamente pequenas, como a Sala-Estúdio do Teatro Campo Alegre, com um universo de 70-80 pessoas. Seguidamente fizemos um salto prudente para o Café-Teatro e aí já contávamos com um universo de cerca de 140 pessoas. E, neste momento, falamos de salas com capacidade para 300 pessoas. De forma pontual, realizamos uma “Quintas de Leitura” de homenagem ao Manuel António Pina, no Grande Auditório do Teatro Rivoli, numa sala com cerca de 700 pessoas. De qualquer maneira, nestas coisas da literatura há que ser prudente. Se me perguntarem: qual o universo abrangido pelas “Quintas de Leitura”? Penso que estamos sempre a falar, com algum conforto, de cerca de 300 a 400 pessoas por mês.
Por aqui já passaram mais de 1000 artistas, entre poetas, músicos e artistas plásticos. Agora no 17º aniversário, qual é o balanço que retira deste ano de 2018 que está quase a terminar?
Este foi um ano especial. Reservamos o ano a jovens vozes, a poetas que estão agora a dar os primeiros passos. As “Quintas de Leitura” têm também de ser um instrumento para dar voz à novíssima poesia portuguesa e, paralelamente, trazer alguns cantautores que – tal como os poetas – têm alguma dificuldade em fazer ouvir a sua voz. Tivemos ao longo do ano grandes poetas como a Filipa Leal, o Daniel Maia-Pinto Rodrigues ou o João Habitualmente. Todos poetas do Porto, o que também é importante. Penso que o papel das “Quintas de Leitura” é, exatamente, esse: apostar em jovens cantautores e na novíssima poesia portuguesa.
Em poucas palavras, como define atualmente as Quintas de Leitura?
Escrever, em geral, e a poesia, em particular, são claramente um ato de resistência. Escreve-se para resistir a este mundo desconchavado. Uma pessoa liga os telejornais e somos bombardeados com notícias catastróficas, como as recentes eleições no Brasil ou os Estados Unidos da América dos nossos tempos. E escrever é exatamente isso: resistir às novas ditaduras, resistir a estes tempos de populismo que vão conduzir a novos fascismos. Nós, aqui na Europa, temos que ter um antídoto qualquer para nos proteger. E a literatura, em geral, e a poesia, em particular, são, seguramente, fortes antídotos a essas tentações totalitárias.
Fotografia © José Caldeira / TMP
Sim, realmente, este ciclo poético nasce com o Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e eu entro no projeto em 2002. O balanço que posso fazer destes anos é positivo. Numa primeira fase, houve o processo normal, para qualquer ciclo, de fidelização de público. Com o público fidelizado e com as salas esgotadas – uma constante das “Quintas de Leitura” de há vários anos para cá –, com uma nova dinâmica cultural no Rivoli e através de várias sugestões do diretor do Teatro Municipal do Porto (TMP), Tiago Guedes, fizemos alguns ajustes que vieram trazer uma maior dinâmica às Quintas e que nos têm proporcionado balanços extremamente positivos. Este ano, temos programadas onze sessões, que representam em números redondos cerca de 4000 espectadores. Três dessas sessões foram realizadas fora de portas – Pérola Negra, Cultura em Expansão e Feira do Livro –, revelando-se igualmente como um grande sucesso, com uma taxa de ocupação superior a 90%. Relativamente às principais diferenças entre 2001 e os dias de hoje, na altura começamos com salas relativamente pequenas, como a Sala-Estúdio do Teatro Campo Alegre, com um universo de 70-80 pessoas. Seguidamente fizemos um salto prudente para o Café-Teatro e aí já contávamos com um universo de cerca de 140 pessoas. E, neste momento, falamos de salas com capacidade para 300 pessoas. De forma pontual, realizamos uma “Quintas de Leitura” de homenagem ao Manuel António Pina, no Grande Auditório do Teatro Rivoli, numa sala com cerca de 700 pessoas. De qualquer maneira, nestas coisas da literatura há que ser prudente. Se me perguntarem: qual o universo abrangido pelas “Quintas de Leitura”? Penso que estamos sempre a falar, com algum conforto, de cerca de 300 a 400 pessoas por mês.
Por aqui já passaram mais de 1000 artistas, entre poetas, músicos e artistas plásticos. Agora no 17º aniversário, qual é o balanço que retira deste ano de 2018 que está quase a terminar?
Este foi um ano especial. Reservamos o ano a jovens vozes, a poetas que estão agora a dar os primeiros passos. As “Quintas de Leitura” têm também de ser um instrumento para dar voz à novíssima poesia portuguesa e, paralelamente, trazer alguns cantautores que – tal como os poetas – têm alguma dificuldade em fazer ouvir a sua voz. Tivemos ao longo do ano grandes poetas como a Filipa Leal, o Daniel Maia-Pinto Rodrigues ou o João Habitualmente. Todos poetas do Porto, o que também é importante. Penso que o papel das “Quintas de Leitura” é, exatamente, esse: apostar em jovens cantautores e na novíssima poesia portuguesa.
Em poucas palavras, como define atualmente as Quintas de Leitura?
Escrever, em geral, e a poesia, em particular, são claramente um ato de resistência. Escreve-se para resistir a este mundo desconchavado. Uma pessoa liga os telejornais e somos bombardeados com notícias catastróficas, como as recentes eleições no Brasil ou os Estados Unidos da América dos nossos tempos. E escrever é exatamente isso: resistir às novas ditaduras, resistir a estes tempos de populismo que vão conduzir a novos fascismos. Nós, aqui na Europa, temos que ter um antídoto qualquer para nos proteger. E a literatura, em geral, e a poesia, em particular, são, seguramente, fortes antídotos a essas tentações totalitárias.
Fotografia © José Caldeira / TMP
Quintas de Leitura
