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... Perguntas a João Sousa Cardoso

Março

2019

Seg
18
A cineasta norte-americana Bette Gordon é a convidada da décima edição do Multiplex, que se realiza, entre os dias 21 e 23 de março, na Universidade Lusófona do Porto e no Teatro Rivoli. Qual a importância do trabalho e das temáticas abordadas por Bette Gordon e o que podemos esperar desta edição?

O Multiplex existe há dez anos. Tivemos sempre como prioridade, ou critério de programação, convidar cineastas de renome, entre os quais se incluem os portugueses como Manoel de Oliveira e Pedro Costa, por exemplo. Mas também têm sido convidados cineastas belgas como Boris Lehman, franceses como Agnés Varda, por duas vezes no Multiplex, ou Renato Berta, suíço e italiano. E, pela primeira vez, achámos que era importante ultrapassar os limites da Europa e convidar um cineasta norte-americano. A Bette Gordon é uma cineasta da escola de Nova Iorque e, portanto, do cinema independente de Nova Iorque ligado a todo o underground. Para além disso, é professora na Columbia University, o que a torna uma conversadora impressionante para a masterclass da Universidade Lusófona do Porto. É a cineasta que acompanhará as sessões aqui no Rivoli na sua retrospetiva, uma conversadora exemplar, que entusiasmará o público para pensar e debater cinema.

Ao longo destes três dias de programação são exibidos vários filmes de Bette Gordon. Queres destacar algum em específico ou preferes realçar o valor global da obra da cineasta?

A obra é complexa e muito atual, no sentido feminino, feminista, sobre a sexualidade, a pornografia, o voyeurismo, a heteronormatividade e, por isso, sendo uma obra que se desenvolve há três décadas, é uma obra absolutamente atual no debate contemporâneo. Destacaria o “Variety”, o filme de abertura da retrospetiva no Teatro Rivoli. É um filme de 1983, que lida precisamente com o olhar feminino sobre a pornografia e que, já que a Bette Gordon filma muito com pessoas com quem tem relações na vida, tem entre os atores Nan Goldin, a grande fotógrafa americana que todos admiramos e que tem trabalhado sistematicamente na fotografia de rodagem dos filmes de Bette Gordon, nomeadamente na fotografia de “Platô”.

Para além do "Variety", nesta retrospetiva constam filmes desde o início da carreira até à obra mais atual da cineasta.

Isso mesmo, a retrospetiva prolonga-se no Rivoli durante três dias, com duas sessões diárias. Vamos poder percorrer a obra de Bette Gordon desde o primeiro filme “Variety” (1983) até ao último filme “The Drowning” (2016). Portanto, temos aqui um arco de obra que, mantendo temáticas, problemas sociais e uma visão política da sociedade, vai também mudando desde os primeiros filmes mais febris do underground nova iorquino até ao filme mais recente. Incluindo, ainda, curtas metragens dos anos 70 numa das sessões. Portanto, é muito interessante ver também os primeiros filmes de ensaio da Bette Gordon antes da longa metragem.

Ao longo de dez edições, o Multiplex trouxe à cidade do Porto importantes cineastas internacionais. Qual o balanço que fazes destes dez anos e qual a importância desta parceria entre a Universidade Lusófona do Porto e o Teatro Municipal do Porto?

Eu penso que o Multiplex é um exemplo feliz e cheio de futuro, de uma parceria mano a mano entre uma Universidade da cidade e o Teatro Municipal do Porto. Juntos criámos esta oportunidade de se pensar cinema, de trazer um cineasta de renome mundial, de acompanhar uma retrospetiva da sua obra na sua presença, ouvindo, também, o autor a partir de todo o processo que está por detrás de uma obra. E sempre com entrada livre. Portanto, temos aqui um exemplo de como a sociedade civil, uma instituição municipal e uma instituição universitária, a academia, podem criar espaços de diálogo e de troca de experiência. E é muito interessante para os cidadãos do Porto poderem ter este trânsito entre a academia e o Teatro Municipal.
Multiplex 2019: Bette Gordon

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