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Entrevista

Tânia Carvalho

Setembro

2022

Sex
30
Da evocação dos blasons do século XVI por François Chaignaud ao jogo de movimentos – ora escondidos ora revelados – de Tânia Carvalho: nos dias 1 e 2 de outubro, a Dançando com a Diferença sobe ao palco do Rivoli, pela primeira vez. Falamos com a coreógrafa portuguesa sobre Doesdicon, uma das duas peças que integra o programa.

Sendo o título da peça um anagrama da palavra "escondido", o que está escondido na tua peça? Por outro lado, desvenda algo?

Se eu dissesse, ia estragar o que ela esconde (risos). Mas, na verdade, não é nada em particular. Cada um vê as coisas da forma que vê. A peça é bastante enigmática porque, para mim, o processo também o foi, um bocado... Procurei as coisas escondidas nos intérpretes. A inspiração veio dos intérpretes, e achei que eles tinham muitas coisas escondidas para mostrar.

Como tem sido trabalhar com a companhia? Que desafios e oportunidades tens vindo a descobrir?

Esta peça é já de 2016. Foi um processo incrível, mas, ao mesmo tempo, foi igual a outros processos: cada um tem as suas particularidades; cada companhia tem as suas particularidades. Lembro-me que foi muito motivador, muito inspirador, porque eles dão-se muito... São intérpretes que gostam muito de dançar. Acho que o diretor, o Henrique [Amoedo], escolheu muito bem as pessoas para a companhia, porque eles gostam mesmo de dançar. Se fazes uma proposta ou se dizes o que queres, eles estão logo prontos a fazer e dão-te muito mais do que aquilo que pedes. Mas o processo foi igual a outros processos. Eu crio os movimentos, os intérpretes fazem. Não houve, assim, nada de muito diferente.

A dramaturgia da peça foi construída à medida que ias descobrindo os intérpretes ou já tinhas à partida uma estrutura preparada?

Primeiro, fui conhecer a companhia. Uma semana antes [do início da criação], fui a um workshop com eles, vi-os a fazer as aulas e a ter outros ensaios. São bastantes na companhia... Escolhi o elenco da peça e, só depois, mais tarde, é que voltei. Quando voltei, já tinha algumas ideias preparadas. Fui experimentando as ideias que tinha tido, voltei para casa e tive mais ideias. Normalmente, preparo antes o trabalho e levo-o já feito. Mas, há muitas coisas nesta peça que foram eles a dar-me. Eu dou uma estrutura e digo o que quero fazer, depois, eles, dentro dessa estrutura, têm liberdade para fazer algumas coisas. Mas, preparo inicialmente, sim.

A relação com o elenco foi, então, muito próxima desde o início?

Sim, isso é uma coisa que faço sempre. Normalmente, preciso de conhecer primeiro as pessoas ou, então, sou eu que as escolho antes. Só depois é que monto mesmo a peça. Nem que seja ver algum vídeo com as pessoas a dançar, a fazer uma aula. Preciso sempre de ver as pessoas primeiro, para depois conseguir preparar a peça. Sentir as energias dos intérpretes e conseguir preparar as coisas específicas para cada um e as coisas de grupo. Perceber como é que vai tudo funcionar.

© José Caldeira

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