Modos de Ocupar: o diferente do diferente não é o igual
Primeira conferência de ciclo com Pedro Santos Guerreiro realizou-se, esta quarta-feira, no Rivoli
Outubro
2019
Qui
24
Respondendo ao desafio colocado pelo Teatro Municipal do Porto, para a partir de nove espetáculos-chave da temporada imaginar nove conversas, o jornalista e comentador político convida diversas figuras do contexto atual e debruça-se em temáticas que emergem da cultura e sociedade contemporâneas.
Na abertura do primeiro encontro, Tiago Guedes, diretor artístico do Teatro Municipal do Porto, explorou o conceito de “ocupação”. Se, por um lado, a ocupação se relaciona com a história do Teatro Rivoli, no sentido de ocupação de um espaço; por outro, importa fazer “ocupar as ideias” dos públicos, expandindo os espetáculos da temporada que, inevitavelmente, funcionam “como uma lupa sobre o mundo.” Pedro Santos Guerreiro debruçou-se sobre as duplas leituras, recorrendo a exemplos da arte e literatura, como Bansky e Clarice Lispector, para falar sobre “a experiência do espectador enquanto construtor do seu mundo”.
Feita a abertura do ciclo, numa segunda parte a conversa partiu da ideia provocatória “A arte é igual à política”. Hooman Sharifi, coreógrafo norueguês de origem persa - apresenta sexta e sábado o seu trabalho “The dead live on in our dreams” no Palácio da Bolsa - mergulhou em águas profundas abordando questões de identidade e integração territorial. Apesar do peso do tema, a conversa foi pautada por leveza, desmistificando algumas ideias preconcebidas sobre a cultura persa e a cultura árabe. Sharifi partilhou alguns episódios relacionados com uma infância e adolescência, como o amor vivido no olho do furacão da guerra, bem como o interesse em apresentar o seu trabalho num espaço como o Salão Árabe – “é uma sala muito curiosa porque podemos descobrir várias falácias sobre o que cremos vir dos árabes, este é claramente um espaço construído por europeus”.
O ciclo prossegue já no próximo dia 12 de novembro, com uma conversa que promete ser bem humorada, entre o encenador francês Philippe Quesne, que regressa ao Rivoli para apresentar o seu último trabalho, e o humorista Ricardo Araújo Pereira, sob o mote “No paraíso reserva-se o direito de admissão”.
Até ao final do ano, será possível ainda assistir, em dezembro, a um momento especial integrado no Foco Famílias do Teatro Campo Alegre, para falar os medos das nossas crianças e jovens. O ciclo culminará em julho, e o Teatro sairá fora do seu edifício para um projeto que vai ocupar (literalmente) a Praça D. João I.
Motivos para refletir em conjunto e seguir a proposta do curador – “partamos da anunciação dos artistas e confrontemo-la com visões multidisciplinares, até porque o diferente do diferente não é o igual. O despenhamento está permitido, o empenhamento está proposto. Para que assim possamos escolher, não por exclusão mas por inclusão de partes.”
A entrada é gratuita mediante levantamento de bilhete no dia e local da conferência (máximo 2 por pessoa).
Fotografia © Jose Caldeira
Arrancou ontem, no Teatro Rivoli, o ciclo de conferências Modos de Ocupar, com curadoria e moderação de Pedro Santos Guerreiro.
