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Sinopse

Em parceria com Universidade Lusófona do Porto

Espaços, lugares e territorialidades

Jonas Runa
O jogo da imitação: som, espaço e computabilidade

Fevereiro

2023

Ter
7

Sinopse

A polissemia do conceito de som convida de imediato a uma reflexão sobre questões de fronteira, entre ciência, arte e filosofia contemporânea. Recuperando a terminologia de John Locke, diríamos que o som se enquadra tanto nas qualidades primárias quanto nas secundárias: enquanto entidade científica, independente de nós mesmos, o som é inaudível, pois as equações da física acústica não pressupõem um observador ou tipo de escuta; enquanto perceção, o som permanece inexplicável, pois nenhum processo algorítmico ou computacional foi até hoje capaz de simular a caleidoscópica variedade de experiências mentais e subjetivas do fenómeno sonoro desenvolvidas pela evolução da vida ao longo de milhões de anos. O som permeia o espaço, do murmúrio dos átomos ao canto longínquo de aglomerados de galáxias. Por difícil que seja de imaginar, o facto é que existiu uma Terra anterior à vida onde havia radiação eletromagnética, mas não sensação de cor, um mundo habitado por ondas de pressão acústica, mas sem qualquer sensibilidade sonora. Difícil de imaginar, pois esta perspetiva, a que nos convida a ciência, obriga a uma confrontação com uma exterioridade radical, aquilo que existe “em si mesmo”. Mas seremos nós capazes de conceber o som, o espaço ou o mundo de uma perspetiva que se situa para além de nós mesmos, sem as faculdades sensoriais que a evolução nos forneceu? Por outro lado, há que afirmar ao cientista mais ortodoxo que o Universo não nos deve nada, muito menos a existência da ciência. Não está obrigado à consistência lógica nem à inteligibilidade, à lei moral, à matematização, à beleza ou a qualquer conceito, método ou regime humano da verdade. Que o mundo seja compreensível é de facto perfeitamente incompreensível (Einstein). Qualquer avanço científico significativo parece requer especulações proporcionalmente delirantes. Sabemo-lo com clareza pelo menos desde Feyerabend: não há método, não há resultados que provem o método. Não há nenhum salto puramente racional para inferir teorias de factos. Não há ‘períodos normais’ da ciência, para que possam ser pontuados por revoluções e catalisar mudanças de paradigma. Não pode haver um critério rígido de ‘falsificabilidade’ sem o esvaziamento do que conhecemos como ciência. Haverá porventura determinada tendência, quando consideramos séries específicas de teorias científicas, mas mesmo dela será difícil extrair, em última análise, uma definição teórica ou prática de ‘metodologia científica’. O impossível é a única direção plausível. Desafio paradoxal: o jogo da imitação. — Jonas Runa

As obras de Jonas Runa foram apresentadas no Museo Guggenheim Bilbao, 55.ª e 56.ª Bienal de Veneza, 798 Art District (Pequim), ARoS Aarhus Kunstmuseum, Galerie Scheffel (Frankfurt), Logos Foundation (Ghent), Museo de Arte Contemporáneo (Santiago do Chile), Théâtre de la Ville (Paris), Arnold Schoenberg Hall (Haia), Yorkshire Sculpture Park (Reino Unido), Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e Casa da Música (Porto), entre outros espaços. É doutorado em Ciência e Tecnologia das Artes pela Universidade Católica Portuguesa e pós-doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Foi Co-Investigador Responsável do projeto FCT “Technologically Expanded Performance”. Em 2007, criou o duo ZUL ZELUB, com Jorge Lima Barreto, para piano e música eletrónica. Em 2021 foi eleito membro da Academia de Ciências de Lisboa - Seminário Jovens Cientistas, distinção atribuída a 20 investigadores de todas as áreas do conhecimento. Desenvolve a sua atividade no campo dos Estudos do Som e da Pesquisa Artística - onde produção artística e investigação académica se encontram fortemente interligadas. As suas obras cruzam uma considerável variedade de domínios artísticos e académicos, sendo os principais a New Media Art, a Performance Art e Multimédia, as Esculturas Sonoras e Light Art, a Improvisação e Composição musical, bem como a Dança contemporânea. Atualmente é Diretor da Licenciatura em Ciência e Tecnologias do Som e do Mestrado em Produção e Tecnologias do Som na Universidade Lusófona.

conferência

© Spiral Jetty, Robert Smithson

Info sobre horário e bilhetes

Ter

7.02

18:30

RivoliPequeno Auditório

Informação adicional

  • Preço Entrada gratuita
    Classificação etária 6+

Texto biografia autores

Ficha técnica

  •  

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