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Sinopse

Universidade Lusófona do Porto Sobre Mediações, mediatizações e imediatizações – Sobre o pensamento mediático

Contingência e Necessidade

Rui Pereira
Universidade Lusófona do Porto

Abril

2022

Qua
13

Sinopse

Numa época em que o inesperado abalou as certezas da modernidade baseadas na ciência e na técnica, pensar a contingência e o seu oposto, a necessidade, é pensar a possibilidade que uma coisa aconteça, não aconteça, ou aconteça de outro modo, no confronto entre o imprevisível e o providencial, entre o indeterminável e o constante. Para banir o contingente, introduz-se a causalidade natural ou histórica, que releva da probabilidade – como se o real fosse ordenado –, assim como a sua constante monotorização e vigilância. O que é certo é que o contingente eclode uma e outra vez, pois quanto maior o controlo mais o contingente emerge nas sua formas mais brutais, a do acidente ou da catástrofe, ou mais leves, a da falha ou da avaria. O jogo da contingência e do seu controlo são um dos traços característicos da modernidade.


Mediações, mediatizações e imediatizações – Sobre o pensamento mediático

Enquanto irrupção do inesperado e do inimaginado ou do dificilmente imaginável, o Acontecimento opera uma rotura com a ordem dos dias, introduzindo dimensões inconceptualizadas e inenarráveis que, paradoxalmente, carecem de narração. Ocupando-se rotineiramente de contar essa quotidianidade em que conhecemos apenas aquilo que reconhecemos, as grandes maquinarias de narrar os dias, que abreviadamente conhecemos por media, organizam sumários simplistas que convencionam o inconvencionado em múltiplas estratégias de sentido que lhes sejam convenientes, a si mesmas e às esferas e poderes onde se realizam. A prosa dos media como modalidade de impor uma ordem causal, necessária, às desordens do contingente está, assim, por definição, condenada a negar-se a si mesma de um modo duplo. Ou domestica a realidade acontecimental, neutralizando-a enquanto acontecimento ou é tomada pelo próprio acontecer que deixou de conseguir narrar. Debater com alguma profundidade os media, sem fazer o “pleonasmo com o mundo” de que falava Bourdieu a partir de Mallarmé, implica, como nos lembram Douglas Kelner ou Raymond Williams, a estratégia de um “materialismo cultural” neogramsciano, no qual pensar as mediações, as mediatizações e as imediatizações é pensar as dificuldades correntes do pensar as (e nas) nossas sociedades. É essa a proposta desta conferência.


Rui Pereira é doutorado em Sociologia da Comunicação e da Informação pela Universidade do Minho. Leciona na Universidade Lusófona do Porto, nas licenciaturas em Ciências da Comunicação, no Mestrado em Comunicação Redes e Tecnologias e no Doutoramento em Comunicação e Ativismos. Foi jornalista durante vinte anos, dos quais os últimos treze no semanário Expresso. No âmbito do jornalismo foi, entre outras distinções, galardoado com o Prémio Gazeta de Revelação. É autor de publicações científicas e académicas, bem como de diversas obras de ensaio e reportagem, várias das quais publicadas em, ou traduzidas para inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. A sua área de investigação centra-se na análise do discurso, especialmente no que concerne às relações entre sistemas de poder e dispositivos de comunicação ampliada.

© Marcel Duchamp, Network of Stoppages (1914)

Info sobre horário e bilhetes

Qua

13.04

18:30

RivoliPequeno Auditório

Informação adicional

  • Preço Entrada gratuita
    Classificação etária 6+

Texto biografia autores

Ficha técnica

  •  

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